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Nanotubos de carbono encontrados nos pulmões de crianças parisienses.

Dentre os poluentes presentes na atmosfera, as partículas finas que medem até 2,5 µm de diâmetro (chamadas PM 2,5) podem penetrar nas vias respiratórias e podem ter, como consequência, efeitos negativos sobre a saúde. As partículas finas seriam a causa maior de mortes e doenças no mundo: estudos têm mostrado a associação entre a exposição a estas partículas no longo prazo e a mortalidade, mesmo em concentrações inferiores a aquelas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A exposição a longo prazo a altas concentrações de partículas finas aumentaria o risco cardiovascular, as doenças respiratórias, a diabete e o câncer de pulmão. Uma exposição a curto prazo, por sua vez, poderia agravar ou favorecer a aparição de doenças respiratórias, tais como, a asma.

Em um artigo publicado na revista científica EBioMedicine, pesquisadores franceses e da Universidade Rice (Houston, EUA) caracterizaram as partículas presentes nos líquidos de lavagem bronco-alveolar de crianças portadoras de asma. Os pesquisadores escolheram trabalhar com tais pacientes dado que a broncoscopia é um exame de rotina para o diagnóstico da asma na França uma vez que, do ponto de vista ético, não tem sentido considerar a utilização desta técnica invasiva em pessoas saudáveis.

Sessenta e quatro amostras de 36 meninos e 28 meninas com idade de 2 meses a 17 anos foram recolhidas entre 2007 e 2011. Essas amostras de líquidos de lavagem bronco-alveolar foram congeladas no Hospital Trousseau, em Paris. Como o congelamento destrói as células, os pesquisadores analisaram amostras frescas contendo células pulmonares intactas, provenientes de cinco meninos com idade entre 12 e 58 meses. Todos esses pacientes fizeram esses exames dentro do protocolo de seu tratamento. Como os nanotubos são muito pequenos para serem detectados através de microscópios ópticos, os pesquisadores utilizaram técnicas mais sofisticadas: a microscopia eletrônica de transmissão de alta resolução (HRTEM) e a espectroscopia de raios-X no modo dispersão de energia.



Nanotubos de carbono (indicados pelas flechas vermelhas) presentes no gás de escapamento veicular (à esquerda) podem ser encontrados nas células de pulmão (à direita).

Créditos: Kolosnjaj-Tabi et. al.


Nanotubos provavelmente onipresentes e nocivos

Os pesquisadores analisaram a matéria presente nas células de macrófagos alveolares, que impedem a entrada de materiais estranhos como partículas ou bactérias nos pulmões. Eles observaram nas células agregados de nanotubos que medem de 10 a 60 nanômetros (nm) de diâmetro e até mais de uma centena de nanômetros de comprimento.

As partículas encontradas nos pulmões das crianças portadoras de asma eram similares àquelas presentes no gás de escapamento dos veículos parisienses, mas também em poeiras provenientes de diferentes regiões da cidade e mesmo de outros lugares no mundo: no ar ambiente nos Estados Unidos, nas teias de aranha domesticas em Kampur, na Índia, e nos núcleos de gelo. Em definitivo, essas nanopartículas poderão estar onipresentes no nosso meio ambiente.

Como os nanotubos foram encontrados em todas as amostras estudadas, eles poderão ser encontrados em todo o mundo. Ou, como explica o químico Lon Wilson da Universidade de Rice: "em nosso laboratório, uma vez que nós trabalhamos com nanotubos de carbono, nós usamos máscaras para evitar exatamente o que nos vimos nestas amostras". Ironia a parte: saindo para passear fora do laboratório, cada um deve recuperar um pouco de nanotubos de carbono para seus pulmões.

Os nanotubos de carbono, em razão de suas características químicas, podem aderir a uma grande variedade de substâncias, desde gases e metais até moléculas mais ou menos grandes. Eles poderiam então transportar os poluentes do ar. No artigo os autores citam igualmente a controvertida hipótese segundo a qual as fibras de nanotubos de carbono agiriam como o amianto.

Futura Santé (Tradução - MIA/OLA).


Nota do Scientific Editor - O trabalho que deu origem a esta notícia de título: "Anthropogenic Carbon Nanotubes Found in the Airways of Parisian Children", de autoria de Jelena Kolosnjaj-Tabi, Jocelyne Just, Keith B. Hartman, Yacine Laoudi Sabah Boudjemaa, Damien Alloyeau, Henri Szwarc, Lon J. Wilson and Fathi Moussa, foi publicado no periódico EBioMedicine (2015), DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.ebiom.2015.10.012.


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