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O CCRSERI publica parecer final relativo à nanoprata.

Em junho de 2014, a Comissão Europeia e o seu Comitê Científico dos Riscos para a Saúde Emergentes e Recentemente Identificados (CCRSERI) publicaram o seu parecer final sobre a nanoprata: efeitos em termos de segurança, saúde e ambiente e papel na resistência antimicrobiana.

O parecer diz respeito à avaliação dos riscos, isto é, à determinação do valor quantitativo ou qualitativo de um período decorrente de uma situação concreta e de uma ameaça confirmada As considerações relacionadas com a gestão de riscos estão fora do âmbito do presente parecer. Os gestores dos riscos poderão basear-se neste parecer para elaborarem políticas adequadas.

O CCRSERI foi pela primeira vez convidado a apresentar o presente parecer em 2012 devido a preocupações crescentes sobre os riscos para a saúde associados à utilização da nanoprata. O objetivo era determinar se a utilização de nanoprata, nomeadamente no domínio dos cuidados de saúde e em produtos de consumo, poderia implicar riscos adicionais em comparação com as utilizações mais tradicionais da prata e se a utilização da nanoprata para controlar a o crescimento bacteriano poderia ter como consequência a resistência dos microrganismos.



Nanopartículas de prata pode dar origem a resistência bacteriana?

Créditos: Nanocomposix



Foi lançada uma consulta pública sobre o parecer preliminar, que esteve aberta de 13 de dezembro de 2013 a 2 de fevereiro de 2014. As contribuições recebidas através da consulta pública foram cuidadosamente examinadas pelo CCRSERI e tomadas devidamente em consideração nas conclusões definitivas.

O CCRSERI concluiu que a grande (e crescente) utilização de produtos que contêm prata implica que tanto os consumidores como o ambiente estão expostos a novas fontes de prata. A exposição humana é direta (gêneros alimentícios, contacto das mãos e dos objetos com a boca, contacto com a pele) e ocorre ao longo da vida. No que diz respeito ao ambiente, as nanopartículas de prata podem funcionar como um sistema particularmente eficaz de propagação da prata em organismos no solo, na água e nos sedimentos e podem atuar como fontes de prata iónica durante longos períodos. Por conseguinte, não podem ser excluídos efeitos adicionais causados por uma generalização e utilização a longo prazo das nanopartículas de prata.

No que diz respeito ao risco associado à divulgação do mecanismo de resistência na sequência da utilização de nanopartículas de prata, não estão atualmente disponíveis estudos, o que constitui uma grave lacuna de conhecimentos. Uma vez que outras nanopartículas demonstraram aumentar substancialmente a transferência horizontal de genes entre bactérias - o que é um fato extremamente relevante para o desenvolvimento de resistência - o potencial das nanopartículas de prata para induzir efeitos semelhantes deve ser objeto de especial atenção.

São necessários mais dados para compreender melhor a resposta bacteriana à exposição à prata iônica e a nanopartículas de prata. Dado que os mecanismos que dão origem à resistência das nanopartículas de prata não são bem conhecidos, não é possível estimar, nesta fase, se a resistência dos microrganismos aumentará e se irá alastrar em consequência de um uso mais generalizado das nanopartículas de prata nos produtos.

O documento final pode ser obtido na íntegra clicando aqui.


Nota do Manging Editor: Esta matéria foi primeiramente veiculada no Boletim Saúde-EU, e é de autoria do Doutor Colin Janssen, Presidente do Comitê Científico dos Riscos para a Saúde e o Ambiente.


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