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A toxicidades das nanopartículas nos produtos de consumo estaria sendo subestimada?

A nanotecnologia está inserida em diversos produtos que consumimos, quer se trate de tintas de secagem rápida, de cosméticos com propriedades exclusivas ou de computadores miniaturizados.

Ora, o que sabemos nós sobre a toxicidade destes compostos, uma vez liberados no ambiente? Jean-Philippe Bellenger, professor de Química Ambiental, da Universidade de Sherbrooke (Canadá), lança dúvidas sobre os resultados dos estudos científicos.

Devido à sua ampla e recente utilização, as nanopartículas têm sido objeto de várias pesquisas toxicológicas. Contudo, as condições nas quais são feitas estas pesquisas não são representativas daquilo que realmente se desenrola no interior do ecossistema, acredita o professor Bellenger, titular da cadeira de Pesquisa em Bioquímica Terrestre, no Canadá.



Professor Jean-Phillipe Bellenger, da Universidade de Sherbrooke.

Créditos: Michel Caron.


Afirma o pesquisador em química que as análises de toxicidade de nanopartículas metálicas se limitam a apenas uma fração da realidade. Para superar as deficiências, Bellenger propõe uma abordagem, susceptível de modificar a percepção dos cientistas, no que diz respeito à nanotecnologia e sua toxicidade no ambiente.


Alimentar-se com uvas de plástico


Normalmente, um composto químico é considerado prejudicial (nocivo) quando se prende fisicamente à membrana celular. Contudo, tal abordagem não leva em consideração as transformações químicas que podem sofrer as nanopartículas no ambiente. Em outras palavras, os cientistas se fixam na concentração na qual uma substância ataca uma célula - como um punhal -, sem considerar a possibilidade que esta última possa ingerir o composto bem antes - como um peixe - e sucumbir.

Para desvendar a importância das interações químicas, Jean Philippe Bellenger estudou uma cepa de bactérias frente à nanopartículas de tungstênio. Empregado como pigmento nas tintas, o tungstênio é um metal não necessário ao crescimento de bactérias. O professor de química demonstrou que um tipo de bactéria, chamado Azotobacter vinelandii, reage na presença de tungstênio secretando substâncias cuja a estrutura lembra uma teia de aranha. Esses "fios", chamados sideróforos, capturam as nanopartículas de tungstênio para solubilizá-las.

Ora, uma vez que o tungstênio "nada" na solução, as células da bactéria não diferenciam mais este, daqueles outros nutrientes indispensáveis à sua sobrevivência. A bactéria tenta, portanto, utilizá-lo de forma errada, tal como um ser humano que buscasse se alimentar comendo uvas de plástico. Esta assimilação de um "falso" nutriente acaba por prejudicar o bom funcionamento da bactéria, causando sua morte, em concentrações bem mais baixas que as requeridas para afetar diretamente sua membrana.


Propor uma nova abordagem

A fim de oferecer um quadro preciso sobre os efeitos da nanotecnologia, a pesquisa ambiental deverá "pegar uma outra tangente", integrando uma nova noção: as interações entre bactérias e nanopartículas. "A abordagem atualmente empregada nos estudos ambientais talvez não seja a melhor para estimar, com precisão, os efeitos das nanopartículas sobre o ambiente", resume o professor canadense.

Os resultados desta pesquisa, publicados na revista Environnmental Science and Technology, trazem uma mensagem bastante importante: "Para esboçar um verdadeiro retrato dos efeitos da nanotecnologia sobre o ambiente, devemos parar de constatar, e trabalhar para compreender as reações que entram em jogo com as bactérias, conclui Jean-Philippe Bellenger.

Universidade de Sherbrook (Tradução - MIA).


Nota do Scientific Editor - O trabalho "Effects of tungsten and titanium oxide nanoparticles on the diazotrophic growth and metals acquisition by Azotobacter vinelandii under molybdenum limiting condition", que deu origem a esta notícia, é de autoria de P. Allard, R. Darnajoux, K. Phalyvong e J-P. Bellenger, tendo sido publicado na revista Environmental Science Technology, Vol. 19, número 47, págs. 2061-2068, 201, DOI: 10.1021/es304544k.


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