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Devemos ou não ter medo das nanotecnologias ?

Se o grande público nunca fez a menor reticência aos OGM (Organismos Geneticamente Modificados), presentes há cinco anos em toda a cadeia alimentar nos Estados Unidos, a discussão sobre as nanotecnologias parece encontrar eco lá. Com certeza, estamos longe de ver coletividades locais organizar debates públicos contraditórios para informar os cidadãos. Contudo, associações, grupos militantes e certas mídias conscientes fazem bem seu papel de alerta. Resultado: pessoas se interrogam e buscam respostas como podem, freqüentemente surfando pela rede.

Testemunha isso o professor da Duke University (Carolina do Norte - EUA), Doutor Mark R. Wieisner, especialista em ciências do ambiente, na correspondência recebida na volta de suas férias: "Vi na Internet que vocês se interessam pelos potenciais perigos das nanotecnologias. Dou aulas a estudantes, em casa, e ontem uma aluna mencionou que estudava na área das nanotecnologias. Perdoem-me, se for ignorância minha ou paranóia, mas me pergunto se corro algum risco trabalhando com ela. (...) Os produtos nanotecnológicos são perigosos? Teriam as pessoas que trabalham com isso capacidade de contaminar as outras? Afinal, o que sabemos nós a esse respeito?".

MarkWiesner é principalmente conhecido por ter iniciado na Rice University (Texas, EUA), em 2000, as primeiras pesquisas concretas sobre o comportamento das nanopartículas no ambiente, argumentando então que não seria necessário correr o risco de repetir a história do amianto, inicialmente identificado como material milagroso e, depois, como veneno público número um. Sua analogia tinha, na ocasião, provocado violentas discussões entre cientistas que trabalham nessa área, discussões do tipo: porque oferecer cordas para se enforcar? Em suma, volta-se constantemente a esse assunto que ele, de boa vontade, respondeu à inquieta estudante.

Explica ele que se encontram nanopartículas (naturais ou talvez fabricadas) em tudo, e que não é porque as coisas são muito pequenas que são necessariamente perigosas (nem o contrário), que a pesquisa progride e que se começa a ter uma idéia precisa do efeito negativo de certas nano-moléculas, mais estudadas que outras.





Professor Mark R. Wiesner, Duke University.

Crédito: Duke University



Utilizo essa simples troca epistolar, entre uma cidadã inquieta e um cientista apaixonado, para abordar o tema das nanopartículas. Seu impacto ambiental e sanitário é uma área de pesquisa importante nos Estados Unidos, que mobiliza grandes investimentos, de origem privada ou de fundos públicos.

Em novembro de 2005, o Comitê Científico da Câmara de Representantes do Congresso Americano questionou David Rejeski, diretor do Project on Emerging Nanotecnologies, para saber se o governo federal disponibilizava dinheiro suficiente para dar conta corretamente do problema do impacto ambiental e sanitário. Rejeski enumerou então cento e cinqüenta e quatro projetos científicos financiados, num total de 23 milhões de dólares anuais, distribuídos através de oito diferentes agências governamentais. Seja, 2,7% do investimento federal total alocado ao desenvolvimento das nanotecnologias. É pouco... mas isso dá asas às equipes universitárias relacionadas com as questões ambientais, e a concorrência é incitada.

Contrariamente aos anos 2000 e 2001, hoje não viria à cabeça de nenhum cientista ou empresário que trabalha com nanomateriais (destinados aos setores da saúde, energia, espaciais, cosméticos, informática, telecomunicações...) negar a utilidade desta investigação. E isto vale ainda mais porque os dados que saem dos laboratórios há alguns meses são cada vez mais precisos.

Rue89 (http://rue89.com), consultado em 23 de agosto, 2007 (Tradução - MIA).


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