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Produção científica no Brasil sobe, mas não o número de patentes.


A produção científica brasileira subiu de 2006 para 2007 e representa 2,02% de todos os artigos científicos publicados no mundo, mas esse conhecimento ainda não se traduz na prática. Quando se analisa o registro de patentes nos Estados Unidos, o índice brasileiro é próximo a zero.

"O Brasil está muito atrás de outros países que até produzem menos artigos científicos. Dificilmente um País que produz ciência não faz as duas coisas. Todos têm ciência e patentes, mas não é o caso do Brasil", disse Jorge Guimarães, presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes).

De acordo com dados da Organização Mundial de Propriedade Intelectual, órgão das Nações Unidas que faz o depósito de patentes - não o registro, que é uma etapa posterior - em 2007 o Brasil depositou apenas 384 patentes. Sendo que muitas delas não são de brasileiros propriamente, mas de empresas estrangeiras atuando no Brasil.

Os EUA lideram as patentes concedidas pelo seu próprio escritório USPTO (sigla em inglês) com 50,51% do total de 157.283 em 2007. O Japão é segundo com 21,21%, a Alemanha terceiro com 5,75%, Coréia do Sul a quarta com 4,00%, Taiwan a quinta com 3,90%. China com 0,71%, Índia com 0,35% e Brasil com apenas 0,06% ainda estão longe dos líderes.

Na produção científica, o País tem avançado. O Brasil aparece em 15º lugar no ranking mundial de produção científica de 2007, à frente de países como Suíça, Suécia e Israel. A posição é a mesma de 2006, quando o País respondeu por 1,92% dos artigos científicos publicados no mundo. No ano passado, a produção de artigos no Brasil subiu 5%, elevando para 2,02% a participação nas publicações mundiais em 2007.

A China foi o país cuja produção científica mais cresceu na comparação entre os triênios de 2002-2004 e 2005-2007. Segundo a Capes, o salto chinês foi de 73,22%. Em segundo lugar, está a Turquia, com aumento de 44,61%, seguida por Taiwan, com 39,31% Coréia do Sul, com 36,87% Índia, com 33,74% e Brasil, com 33,15%. De acordo com o ministro da Educação, Fernando Haddad, o desempenho chinês reflete os investimentos em educação realizados nas últimas décadas. "A China está colhendo o resultado dessa decisão política que o Brasil tomou tardiamente", disse o ministro.

No ranking da área tecnológica, que considera apenas a produção das engenharias, o País ficou em 20º lugar. Ao anunciar os resultados, o ministro da Educação disse que o desafio brasileiro é transformar conhecimento científico em tecnologia. "Um dos nossos grandes gargalos é traduzir produção científica em tecnologia", afirmou.

Os dados apresentados pela Capes têm como base o Instituto para Informação Científica (ISI, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, que monitora cerca de 10 mil revistas de prestígio internacional em todo o planeta, inclusive cerca de 20 publicações brasileiras. O ISI acompanha a produção de 178 países. Pela primeira vez, o Brasil superou a marca de 2% da produção científica mundial. O ranking é liderado pelos Estados Unidos, com 30,95%, seguidos pela China, com 9,33%. Depois do Brasil, o México é o país latino-americano com melhor posição, em 28° lugar.

No ranking de citações, que indica a quantidade de vezes em que os artigos de cada país foram mencionados em trabalhos de outros pesquisadores e é também um indicador de qualidade, o Brasil ocupa o 25º lugar no período entre 2003 e 2007, com 57,65% de artigos citados. A Dinamarca lidera o ranking com 72,79%, seguida por Suíça, com 71,87%, e Holanda, com 71,85%. Os EUA ficaram em 6º lugar, com 69,68%.

Medicina é a área de maior produção científica do Brasil (21,3%), seguida por física (13,3%) e química (12,5%). Em termos mundiais, no entanto, as pesquisas brasileiras sobre agricultura têm maior peso: elas representam 4,05% do total de artigos publicados no planeta, contra 1,52% da medicina.





Agência Estado e O Globo, 08 de julho, 2008.

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