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Nanotubos de carbono, se "ingeridos", causariam danos ao organismo ?

Quando a toxicidade dos elementos de tamanho nanométrico (1) é objeto de numerosos estudos, pesquisadores do CEA - Comissariado de Energia Atômica, da França, conseguiram desenvolver um método de marcação isotópica que torna possível uma visualização extremamente confiável do comportamento dos nanotubos de carbono no interior de organismos vivos. Esses resultados, publicados na edição on-line do periódico Journal of the American Chemical Society, abrem caminho a estudos de toxicologia mais aprofundados, permitindo estatuir sobre o caráter tóxico ou não desses compostos.

Por suas propriedades mecânicas excepcionais, os nanotubos de carbono podem contribuir para múltiplas aplicações industriais e já começam a aparecer em nosso ambiente familiar. Não obstante, suas características físicas e químicas - tamanho, forma fibrosa e grande estabilidade química - levaram as agências regulamentadoras da saúde a se interrogar sobre os riscos em caso de exposição humana.

A questão central colocada aos pesquisadores é saber se, em caso de exposição, tais nanopartículas poderiam ser eliminadas pelo organismo.

Para responder a essa questão, equipes da Direção de Ciências do Ser Vivo e da Direção de Ciências da Matéria, do CEA, se associaram no âmbito de seu programa transversal Nanociências. Juntas, desenvolveram procedimentos de síntese que permitem marcar nanotubos de carbono com átomos de carbono 14 (2), sem alterar sua estrutura e suas propriedades. Graças a essa radiomarcação, após exposição de ratos a esses nanotubos, a análise de sua distribuição nos diferentes tecidos do animal pôde ser realizada pela utilização de instrumentos de imagem, capazes de detectar a radiação emitida pelo 14C.

As primeiras experiências de biodistribuição permitiram mostrar que, uma vez presentes no organismo, esses nano-objetos se eliminam lentamente.





O processo, otimizado, foi aplicado com sucesso para os nanotubos de carbono multiparedes (MWNTs), e os correspondentes 14C nanotubos marcados foram utilizados para estudar in vivo seu comportamento.

Créditos: JACS.



Dispondo agora de um método de "acompanhamento" dos nanotubos, de uma grande sensibilidade no animal, é possível determinar se esses nano-objetos poderão ser totalmente eliminados pelo organismo, ou se apresentarão uma biopersistência marcada, susceptível de, no limite, conduzir ao desenvolvimento de patologias no homem.


Notas:

(1) De tamanho inferior a um milionésimo de milímetro, seja 10-9 do metro.

(2) O carbono 14 é um isótopo radioativo do carbono, assinalado como 14C. Ele pode ser utilizado como traçador biológico. Esse elemento é igualmente conhecido por sua utilização nos métodos de datação: mede-se, então, sua atividade radiológica na matéria orgânica da qual se deseja conhecer a idade.

Techno-Science (Tradução - MIA).


Nota do Scientific Editor: o trabalho que deu origem a esta nota, de título: "Preparation of 14C-Labeled Multiwalled Carbon Nanotubes for Biodistribution Investigations", de autoria de D. Georgin, B. Czarny, M. Botquin, M. Mayne-L'Hermite, M. Pinault, B. Bouchet-Fabre, M.e Carriere, J.-Luc Poncy, Q. Chau, R. Maximilien, V. Dive e F. Taran, foi publicado on-line no periódico Journal of American Chemical Society, 2009, DOI: 10.1021/ja906319z.


Assuntos Conexos:

Nanotubos radioativos: possibilidade para o tratamento de câncer.


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