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Screening para partículas tóxicas.

As novas propriedades das nanopartículas mostram que as mesmas poderiam ter uso em diferentes aplicações, e não apenas na geração de energia solar e no tratamento de câncer. De fato, as nanopartículas já estão incorporadas em vários produtos comerciais, notadamente em cosméticos.

Muitos especialistas, entretanto, têm revelado preocupações, alertando para que as propriedades singulares destas partículas poderiam torná-las tóxicas, fazendo com que o medo de perigos potenciais tenha levado a um aumento nos chamamentos por testes e regulações (veja: Uma Nova lei para a Nano). Contudo, o grande número de nanomateriais existente, que deveria ser avaliado, torna o processo avaliativo quase impossível. Assim, quaisquer materiais prejudiciais poderiam chegar aos consumidores ou, num esforço para se trabalhar com segurança, poderiam ser criados marcos regulatórios restritivos, os quais, talvez, viessem a frear a inovação.

Autores de um trabalho sobre os últimos estudos relacionados a esse assunto, publicados na semana de 01-07 de janeiro, na revista Science, sugerem uma estratégia de screneening mais eficientemente para as nanopartículas mais perigosas, de modo a prevenir desastres potenciais, sem interromper o desenvolvimento de novas tecnologias. A estratégia estaria baseada na "toxicologia preditiva", a qual se baseia na observação de sinais sutis que as células - quando num meio de cultura -, "enviam" para defender a si mesmas, indicando que as partículas às quais estão expostas poderiam ser perigosas.

Andre Nel, professor de medicina na Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), e um dos autores do referido trabalho, diz que, estudos existentes sobre a toxicidade de partículas que são subprodutos de processos naturais e industriais poderiam ajudar os pesquisadores a identificar sinais de perigo, através de testes envolvendo culturas de células e nanopartículas.

De acordo com o referido trabalho, estudando a toxicologia das nanopartículas os pesquisadores já teriam identificado os mecanismos moleculares, que são ativados quando nanopartículas perigosas entram em contato com células vivas. Observaram que partículas perigosas criam formas reativas de oxigênio, as quais danificam as células. Em baixas concentrações destas moléculas, as células podem, por si mesmas, se defender, via produção de antioxidantes. Entretanto, à medida que a concentração aumenta, as células se inflamam ou morrem. Em cada estágio, as células produzem sinais que podem ser interpretados através do uso de culturas de células que tenham sido expostas a estas novas partículas.

Nel diz ainda que partículas "engenheiradas" provavelmente produzem efeitos similares àqueles que foram encontrados nos primeiros estudos realizados com os fulerenos. Através de testes com partículas "engenheiradas" com culturas de células, diz ele, os pesquisadores poderiam identificar quais partículas seriam provavelmente mais perigosas.

O método de screening proposto por Nel, entretanto, não consegue dar conta de tudo. Na verdade, as nanopartículas poderiam levar a alguns novos mecanismos para o entendimento da toxicidade, diz Kevin Ausman, Diretor Executivo de Operações, do Centro de Nanotecnologia Biológica e Ambiental da Universidade de Rice, em Houston (EUA). Isto poderia significar que algumas partículas perigosas seriam eliminadas.

Mas, por agora, sinais de oxigênio reativo "parecem ser, à primeira vista, um fato natural para se começar a olhar", afirma Ausman, acrescentando que outros pesquisadores têm feito sugestões semelhantes. Tudo, então, deveria ser olhado, sem exclusão de nada? Não. Mas dado o fato de termos recursos limitados para desvendar este vasto campo, no qual existe um amplo e aberto conjunto de questões, é importante estarmos aptos para focar.

Nel dá ênfase ao fato de que os testes não provam se uma partícula é segura ou não. Todavia, como as nanopartículas estão presentes em mais e mais produtos, a necessidade de realizar algum tipo de screening eficiente está crescendo. "Não podemos nos dar ao luxo - nesta fase -, de esperar por uma toxicologia madura para cada partícula", diz Nel. "Precisamos ser sempre pró-ativos", finaliza.

Technology Review, February 07, 2006 (Tradução/Texto - OLA).


Nota do Managing Editor: este texto, de autoria de Kevin Bullis, foi publicado na rubrica Impact of Emerging Technologies, no site http://www.technology.com.


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